segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Segunda

A manhã desliza suave, tudo se encaixando delicadamente, se ajeitando nas folhas coloridas da agenda. E-mails que chegam e vão, o telefone que toca, o barulho da rua intercalado com a música da panela de pressão. Tudo em perfeita ordem, tudo do jeito que deveria ser, escorrendo com a rapidez esperada dos dias, nem mais, nem menos. A manhã de hoje prepara o que os próximos dias guardam no compartimento secreto do tempo que estar por vir: trabalho, amor, estudo, cerveja e cansaço.

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Ipê

Tão efêmero o inverno
tão próxima a primavera
que mesmo sendo tudo geleira em teus olhos
cinza a cidade
silenciada a canção
teimo em crescer ligeira
amarela me espalho
e em todo canto floresço


sábado, 5 de agosto de 2017

Cinquenta


sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Trópico de Capricórnio

Esta cidade não me contém.
Esta avenida não me contém.
E permaneço contida em um corpo que há tempos desconheço.
Outras mãos, outros pés, outra, outra e sempre outra.
Uma sucessão infinita de outras embaralhando os meus cabelos
Multidão de vozes confundindo canções em mim.

Queimo a boca com chocolate quente 
Observo as colunas vermelhas 
As luzes dos carros da pm
A moça que rebola entre as mesas
O casal que flerta ao lado
No movimento pendular da madrugada

Não quero voltar para casa,
Transbordo em uma casa que não me pertence
Em uma cama que não me dá descanso.

Retardo a chegada me distraindo com vidros coloridos na farmácia,
Dialógos com desconhecidos
Antenas e torres
Lembranças inventadas
Futuros sonhados
Culpas e arrependimentos em redemoinhos

Paulista, uma e quinze da madrugada, doze graus
Sensação térmica: nenhuma.

Parole

Casado. Nunca uma única palavra havia lhe ferido tanto. Sorrateira, esperou por ele. E diante de seus olhos surpresos, cravou-lhe no peito a palavra vingança, gravada, com delicadeza, na lâmina de uma faca.