terça-feira, 25 de julho de 2017

Conclusão

De amor não morro mais. 
Morro de frio, fome, tédio, 
raiva, dor, bala perdida, 
bomba e corte no pé. 

De amor eu vivo, sobrevivo, 
transcendo os dias, meses, anos, 
vou rumo ao infinito,
ganho mais de sete vidas. 

Se me mata não é amor. 
Do amor que mata já morri tantas vezes
Que quase nada restou.

terça-feira, 4 de julho de 2017

Theodoro

Aqui e agora, mas poderia ser em qualquer tempo e lugar, pois em toda cama que me deito, deitas comigo e tua sombra caminha ao lado da minha. Tantas vezes pensei ter ouvido tua voz me chamando e tantas outras gritei teu nome no vazio das horas ou sussurrei em lugares repletos de tua ausência. E tu permanecestes imóvel, atado mais às tuas dúvidas do que às tuas certezas, um filhote faminto e assustado pelos sons da madrugada. Aqui e agora, mas poderia ser em qualquer tempo e lugar, me queres de volta, me pedes um cigarro. Tua presença bagunça minha casa, atormenta meu corpo e tantas vezes quanto for preciso te devolverei o não que deixastes atrás da porta e te presentearei com a saudade. Não, não me vingo de ti, é que hoje me basto e estou farta de tuas lembranças.