quinta-feira, 8 de junho de 2017

Leviatã

Estou triste porque estou triste e tenho todo o direito de estar triste. Triste por causa daquela conversa que no fundo nunca foi uma conversa, só um rascunho mal feito do que deveria ser uma conversa, monólogo. Monólogo porque você não existe mais, se perdeu há muito tempo, no fim de uma tarde de outono, entre árvores, em meio da luz amarela que invadia tudo. Esperei você partir pela porta dos fundos, mas não me virei para trás, não queria ver, fingi que não era você, fingi que não era comigo e no caminho de volta, no meu caminho solitário e agora já alaranjado, ouvindo Arnaldo Antunes, vendo a paisagem, o cotidiano da periferia passar transparente, insignificante pelas janelas do trem, percebi a minha própria irrelevância. Nada é real, talvez nunca tenha sido. Existe a tristeza imensa e silenciosa de uma madrugada  de sábado, uma saudade sabe-se lá do que e o espaço vazio das palavras que sempre espero que sejam ditas. Estou triste, isso basta e a tristeza de ser e de estar aqui e agora é tudo que tenho para lhe dar.


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