segunda-feira, 4 de julho de 2016

Histórias que nunca conto - I

Pensei em me matar uma vez, era uma tarde azul como esta. Não havia nada, só um sol ardido que não combinava com nada, que não me deixava enxergar nada além da dor. Fiquei segundos, minutos, talvez horas mirando o calibre 22 sobre a mesa. No limite entre a vida e a morte o tempo não importa e por isso não sei precisar o quanto durou aquele limbo, aquele vai não vou, aquele mar de incertezas. O dedo no gatilho, a cabeça em lugar nenhum. É, não se pede pra nascer, mas naquele dia descobri que viver é uma escolha. Qualquer pessoa que se encontra naquela situação em que  me encontrava, que sentiu o frio do cano da arma, sabe que tudo é apenas uma questão de escolha, um pequeno gesto e "bum!", a eternidade logo ali. Escolhi viver. Se tomei a decisão acertada, ainda não sei dizer ao certo, talvez nunca saiba, mas agora não tem volta. Toda pessoa deveria viver um momento como esse e ter o direito de escolher e daí em diante não poderia culpar mais ninguém pelo seu sofrimento. Não se pede para nascer, mas se pede e se escolhe viver.


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