terça-feira, 5 de julho de 2016

Gula


Lentamente, eu te devoraria todo se pudesse. Lamberia tua pele, chuparia cada um de teus ossos sem presa ou fúria. Contemplaria teu avesso, teu sangue e miúdos sobre a mesa. Sorveria cada gota de teu suor e saliva.Só pouparia teus olhos. Ah, teus olhos! Esses não são de comer, não seriam alvo da energia de meus dentes.Eles ficariam guardados em um vidro de geleia vazio, expostos na estante ou ao lado da cama no criado mudo. Talvez os trouxesse dentro da carteira, como amuleto, com a medalha de Maria em meio aos documentos.Guardaria teus olhos para jamais te esquecer, porque mesmo depois de digerido teu corpo, de nada mais restar do prazeroso banquete, em teus olhos contemplaria ainda tua alma.





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