terça-feira, 5 de abril de 2016

Do que não se fotogafa

Teu cheiro no meu vestido, cara inchada de sono e ressaca na manhã de domingo, aquela música dos Beatles,  o outono se insinuando nas sombras, a solidão de janeiro, sal, os arranhões da infância, teu beijo na minha testa no meio do mercado, a espera pelo telefonema, o calor que escapa do chão depois da chuva, o barulho da rua as dez da manhã, o frescor da cerveja, o carinho aconchegante do menino, a bagunça de tua casa, arrepios de açaí, meus sonhos entre o passado e o futuro, a cor imprecisa dos teus olhos, o sorriso do gato, tua língua em meu sexo, estas palavras.

Inspirado em Luana que tudo fotografa, não com máquinas, mas com a alma.




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