domingo, 6 de dezembro de 2015

Sonho nº 2

Para B.

Novembro. Retorno a cidade da infância, visito a casa que já foi minha, reviso a geografia afetuosa das montanhas sob o céu azul cinzento que antecede às tempestades. É meio da tarde, em ruas estreitas te levo comigo, tua mão descansa na minha, palma com palma enquanto com passos miúdos refaço meu passado. Te revelo histórias talvez inventadas no lago profundo da memória e risco sorrisos em teu rosto moreno. Revelo quem sou, o que de mim poderia ter sido. Me mostro, deixo cair uma lágrima que embaça meus óculos e me faz enxergar melhor o que não poderia nunca ser visto, o que não se alcança, o que se sabe que não é  aprendido em bancos de madeira, livros ou caminhos tortuosos, o que se aprende apenas quando sentido. 

Foto: Regiane Christine

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