quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

X

Talvez eu te ame por uma noite, talvez te ame por várias, por todas as noites do resto da minha vida. Posso dividir com você um cigarro, o táxi ou meu teto. Pode ser só mais um caso, pode ser um sonho. Talvez eu faça minhas malas, talvez nem fique até escurecer. Pode ser a primeira foto, mas também pode ser a única, o último amor ou apenas mais um.Talvez você me faça o jantar, talvez eu saia antes da sobremesa. Talvez seja só por agora, mas também pode ser pra sempre.

domingo, 6 de dezembro de 2015

Falo teu nome em voz alta


Falo teu nome em voz alta
Sílaba por sílaba lentamente
Letra a letra se desprendendo no ar
Bolhas de sabão ao vento
Sussurro baixinho
Gemido doído
Depois berro infinitas vezes
Até teu nome perder a cor
Torna-se vazio
Não mais fazer sentido
Sons dissolvidos na noite
E teu nome assim não é nada
Quase um grunhido
Fonema sem alma

Sonho nº 2

Para B.

Novembro. Retorno a cidade da infância, visito a casa que já foi minha, reviso a geografia afetuosa das montanhas sob o céu azul cinzento que antecede às tempestades. É meio da tarde, em ruas estreitas te levo comigo, tua mão descansa na minha, palma com palma enquanto com passos miúdos refaço meu passado. Te revelo histórias talvez inventadas no lago profundo da memória e risco sorrisos em teu rosto moreno. Revelo quem sou, o que de mim poderia ter sido. Me mostro, deixo cair uma lágrima que embaça meus óculos e me faz enxergar melhor o que não poderia nunca ser visto, o que não se alcança, o que se sabe que não é  aprendido em bancos de madeira, livros ou caminhos tortuosos, o que se aprende apenas quando sentido. 

Foto: Regiane Christine