quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Trinta e oito

Há muito tempo deixei de ser uma menina,
hoje sou várias.
Sou tantas, são várias as meninas
girando, rodando ciranda
cá dentro e em volta de mim.

E tão diversas são as meninas
que no espelho não me vejo.
Uma me olha fixo nos olhos,
outra penteia meu cabelo.
Tem aquela que aperta o cinto
e uma que os nós desata.

Tem santa, mãe e puta,
as que se pintam, as que se escondem.
Tem as que se calam, as que berram,
as que apenas gemem e resmungam.
As que sonham e as que nem dormem em alerta,
algumas correm e outras apenas são espera.

Há muito tempo deixei de ser uma menina,
hoje sou várias.
E sendo tantas ainda posso ser tantas outras,
tantas quanto for preciso para ser inteira menina,
todo dia mais um pouco.




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