sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Abraços

Precisando de abraços, de longos e demorados abraços, de uma quantidade ilimitada deles. Precisando abraçar pessoas, cidades, causas, palavras. Abraçar o mundo, não só com os braços, mas com o corpo inteiro e além, abraçar com a alma, com a entrega pacífica dos que se deixam arrastar pelas correntezas. Preciso agora, não depois, com urgência sedenta, me mudar para o abraço dos que amo. 

Catharina Suleiman

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

O que não se perde

Te escrevi uns versos tão bonitos, mas perdi. Devo ter jogado fora, amassado junto com o extrato do Banco que estampa o que não tenho. Ou talvez tenha ficado no fundo de alguma bolsa no vai e vem sem fim dos dias. Escrevi e agora já não consigo lembrar quais eram as palavras, metáforas e rimas que vestiam teu cheiro, que revelavam teu jeito. Mas aí, entre um suspiro e outro, lembro que posso até perder os versos bonitos que te escrevi no meio da rua, a espera do ônibus, mas a tua poesia, essa não perco, mora nos meus olhos e na saudade que carrego aqui dentro.

Trinta e oito

Há muito tempo deixei de ser uma menina,
hoje sou várias.
Sou tantas, são várias as meninas
girando, rodando ciranda
cá dentro e em volta de mim.

E tão diversas são as meninas
que no espelho não me vejo.
Uma me olha fixo nos olhos,
outra penteia meu cabelo.
Tem aquela que aperta o cinto
e uma que os nós desata.

Tem santa, mãe e puta,
as que se pintam, as que se escondem.
Tem as que se calam, as que berram,
as que apenas gemem e resmungam.
As que sonham e as que nem dormem em alerta,
algumas correm e outras apenas são espera.

Há muito tempo deixei de ser uma menina,
hoje sou várias.
E sendo tantas ainda posso ser tantas outras,
tantas quanto for preciso para ser inteira menina,
todo dia mais um pouco.




segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Slackline

Demora, mas um dia a gente se cansa de andar na corda bamba, de se divertir na montanha russa. Demora, mas a gente aprende que o bom mesmo é estar com os pés no chão, é sentir a terra, é se sujar na lama escura da vida. Demora, mas a gente aprende que quando se aprende a amar de verdade nunca mais se esquece da lição.