quarta-feira, 10 de junho de 2015

Ah, o amor!


Tudo começou com uma paquera despretensiosa, eu tinha lá meus motivos para não me envolver, mas aí veio um fim de semana, um feriado, uma semana e logo me vi assustadoramente apaixonada. Não hesitei, fiz as malas, encaixotei a mudança e cá ainda estou. Oito anos de um relacionamento íntimo e sincero, feito de altos e baixos, risos e lágrimas, surpresas e tédio.

Como em toda grande história de amor foi preciso calma e persistência, entender seus humores, curvas e desvios, rajadas de vento, sua dinâmica, seu traçado único, seu modo de falar. Afinal, só se ama o que se conhece.

Abrir mão de algumas coisas não tão importantes ou relevantes foi fundamental. Imprescindível despir a roupa antiga e nua encontrar outra roupa ou carapuça que me servisse, que combinasse com suas paisagens.

E ela me sorriu. Encheu minha vida com novos amigos, paixões, lugares, afazeres impensáveis, matizes de cinza e azul.

Conquistada? Nunca. É preciso conquistá-la a cada manhã sonolenta com o sol a pino na Paulista, em tardes de congestionamento recorde, na garoa das madrugadas, na confusão das marginais, no verde do Ibirapuera.  É preciso refazer os votos, sempre, cotidianamente, a cada chegada ou partida, seja por terra ou céu.

É mentira quando afirmavam que não existe amor em São Paulo. Sim, existe e é recíproco.

(Texto editado em 10/06/2015)

Foto: Roberto Oya




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