terça-feira, 28 de abril de 2015

Não chores a perda, nada nunca te pertenceu.  Nada é teu: roupa, teto, chão, comida, água, amor, tv, aquário, filho, lápis ... Nem o corpo que habitas a ti pertence! Nada te foi dado ou sequer emprestado. Tudo não passa de um aluguel que nem sempre é barato. Paga-se adiantado, sem seguro ou garantia, ao locador tempo implacável. Guarda, nada é teu! Por isso não chores a perda. As coisas, e são tantas as coisas que julgas possuir, apenas repousam provisoriamente em tuas mãos.

Catharina Suleiman




domingo, 26 de abril de 2015

Desejo

Desejei tua morte como um dia desejei teus olhos fixos, claros, postos só em mim, mas era pouco. 

Desejei tua morte como desejava tua boca precisa, pronta para o meu esperado sim, mas ainda era muito pouco. 

Então, desejei tua morte como desejava em tuas ausências teu corpo colado, dentro, se desfazendo sobre o meu. E isso foi o bastante: agora, não desejo mais tua morte, te quero vivo.




terça-feira, 21 de abril de 2015

O fim justifica os meios

Amanhã vou acordar tarde, bem tarde, perto do meio dia e vou tomar banho com aquele sabonete cheiroso, vou acender uma vela, ouvir Radiohead em loop e te ligar. Vai ser uma ligação muito, muito longa, sem me preocupar com o preço, sem me preocupar com o tempo, tudo pra te contar sobre o meu novo trabalho, falar sobre o último jogo do Botafogo, o vestido novo, de como é dificil  respirar nesta cidade que arde, vou reclamar da minha mãe, da cerveja que não estava tão gelada assim, do aluguel que subiu, do ônibus lotado e sempre atrasado, vou dizer bobagens, te contar piadas, meus sonhos da noite passada, o último livro que li, o filme de domingo. Vai ser tudo tão leve, doce, risonho e quando você estiver embriagado, tonto com tanta novidade com tanto assunto sem pé e sem cabeça, carente de nexo e lógica vou te dar a grande notícia, vou te dizer entre assobios, como se fosse música, mas com precisão de um golpe de judô: ainda te amo.


Karina Yashagin


sábado, 18 de abril de 2015

Manhã de sábado


- Abrir as janelas
- Lavar o rosto
- Estender a roupa
- Sorrir
- Escrever um poema
- Responder mensagens
- Esquecer mágoas
- Arrumar a mala
- Assar o peixe
- Não arrancar a casca do machucado
- Dançar com o rádio ligado
- Não desejar o mal
- Ver o sol
- Preparar-me para o novo
- Ser inteira


quinta-feira, 16 de abril de 2015

terça-feira, 14 de abril de 2015

Indiferença

Tens meus olhos e meu corpo
à distância do esticar de teus braços
porém não te avisto além das lembranças
não me tocas nem ao mesmo por acaso.

Persistes pulsante no caminho do esquecer
no doer de velhas feridas 
em noites sem descanso
no desatar inevitável de nossos laços.


Rochelle Costi