sábado, 21 de fevereiro de 2015

Não te esqueci


Pés descalços de unhas vermelhas no quarto em que você nunca esteve e nunca estará, mas permanece mergulhado na luz difusa de sua existência e em miudezas que insisto em colecionar. O peso do não ser e do não estar é o que machuca, queima. Ferro e fogo em carne viva me lembram a todo momento que o milagre que há tempos espero jamais irá se cumprir. Toda espera tem seu preço, tem seu tempo, tem sua dor e sua impaciência e a minha se dissolve em dilúvios embaixo do chuveiro e corridas de táxi solitárias em noites embriagadas de álcool, desejo e saudade.


2 comentários:

  1. Parabéns Tânia! Você escreve maravilhosamente bem, tenho certeza que será uma delícia acompanhar seu Blog. Beijos, Paula.

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