quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Caminheiro

Se deixas de me amar, lentamente também mato meu amor por ti.  Se me esqueces, em poucos dias memórias tuas já não tenho. Se queres ir embora, vá. Mas ao partir queime todas as pontes, apague rastros, destrua as trilhas, esqueça atalhos. Se pensares em voltar procure novos caminhos, abra novas estradas,  por onde andavas já não me encontrarás. Se tens alguma dúvida não se aproxime, mantenha-se distante e seguro. A hesitação aqui não tem mais pouso, o talvez já não me prende, é a certeza agora, somente ela, que me seduz.


sábado, 21 de fevereiro de 2015

Não te esqueci


Pés descalços de unhas vermelhas no quarto em que você nunca esteve e nunca estará, mas permanece mergulhado na luz difusa de sua existência e em miudezas que insisto em colecionar. O peso do não ser e do não estar é o que machuca, queima. Ferro e fogo em carne viva me lembram a todo momento que o milagre que há tempos espero jamais irá se cumprir. Toda espera tem seu preço, tem seu tempo, tem sua dor e sua impaciência e a minha se dissolve em dilúvios embaixo do chuveiro e corridas de táxi solitárias em noites embriagadas de álcool, desejo e saudade.



sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Limpando a agenda de telefones

Aprendi que as pessoas ficam em nossas vidas o tempo necessário, nem um minuto a mais ou a menos. Elas se vão quando é hora de ir, quando não há nada mais a acrescentar ou transmitir. Às vezes é doído, às vezes é um alívio e às vezes elas vão se afastando tão lentamente que quando você percebe leva um susto porque elas simplesmente não estão mais lá onde costumavam estar. Então fica um pouco de saudade, um outro tanto de lembranças, um objeto esquecido, um ensinamento qualquer e a vida segue seu curso natural: pessoas chegam, pessoas partem. Algumas iluminam por uma fração de segundo nosso existência para em seguida desaparecerem e outras ficam por muito, muito tempo que até parece que ficaram para sempre. 


quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Fevereiro

Haverá sempre outra folia, 
Um novo brilho,
Outro amor.

Haverá sempre outro perfume,
Uma nova música,
Outra fantasia.

Haverão muitas outras quartas-feiras
Cinzas, azuis e amarelos
Sempre à espera do próximo Carnaval.





segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Paura

Tenho medo, medo de me perder em teus labirintos de braços e pernas entre a minha boca e a tua. Tenho medo de encontrar meu norte, de fazer minhas malas, encaixotar livros e papéis e ser estrangeira em terra tua. Tenho medo de embriagada queimar meus navios, de ver o amor correspondido, o desejo recíproco e então não ter mais desculpas. Tenho medo do que pode acontecer se a porta se abrir e for inevitável não mais fechá-la. Tenho medo de não retornar de ti.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

(He)art

Leonardo Macias