sábado, 6 de dezembro de 2014

Da parte e do todo

Há uma parte de mim que você não vê, nunca verá. Parte escondida, gaveta de guardados, camiseta manchada, diários, cara lavada. Nunca minha nudez é completa, há sempre algo que teima em ficar sobre a pele, adereço esquecido de modas passadas.  Existe um canto sombrio  de onde não se pode ver o  sol,  pedaço insano e criminoso onde vivo em alerta. Jamais confesso todos meus pecados, cultivo alguns em redomas de vidro, trato-os como bichinhos de estimação, salvo-conduto para outras vidas. Aliso, organizo e classifico meus defeitos com a minúcia obsessiva de um doente na tentativa vã de trazê-los sempre em ordem. Tenho uma parte em mim que desconheço e é a árdua tarefa de desvendá-la que me ocupa por inteiro.


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