terça-feira, 28 de outubro de 2014

Pedido

Só peço que me ames, mas me ames devagar, pouco a pouco, enquanto observas na insônia fragmentos de luz na parede do quarto, no bater de meus cílios, na paisagem que desfila pela janela, em um oceano de distância, na aspereza do trabalho, na eternidade que mora entre quinze e dezesseis horas, sem urgência, presa, fogos ou artifícios, com a serenidade dos velhos e alegria das crianças, com a curiosidade dos que nada sabem, com a fé dos desenganados, quando minha pele se mostrar vermelha ao contato de tua barba, quando meu corpo na flacidez que sucede o gozo se afastar do teu, nas palavras impronunciáveis que cuspo em teus ouvidos, na mansidão do beijo de boa noite, no ligeiro beijo de bom dia, no abraço que finge afogar toda a saudade, quando eu menos merecer todo esse amor, quando louca, impaciente, ansiosa, transbordando hormônios, quando tudo e todos estiverem contra mim, quando o inferno se instalar, quando tudo estiver a ponto de desmoronar.  Só te peço que me ames pouco a pouco, mas toda hora, a cada dia e para sempre.

Catharina Suleiman

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