segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Sociedade dos poetas mortos

Todos os poetas já estão mortos porque para escrever é preciso morrer. Não se faz poesia com vida, com o frescor das coisas vivas. Todo poema é morte, cada verso uma punhalada no peito, cada palavra um arrancar de vísceras. Todo poeta é um defunto a espera de um leitor que o traga novamente a vida.

2 comentários:

  1. Boa tarde, Tânia. Concordo,
    Tanto que deixo um meu poema que vai de encontro ao que você escreve:

    Classificado

    Contrata-se um assassino, um matador de aluguel
    que tenha na profissão bastante experiência.
    Deve ser frio, calculista, insensível e cruel.
    Exige-se carta de referência.

    Quem o trabalho puder assumir,
    favor encontrar-me na mais triste praça.
    Direi que a vítima não vai reagir,
    que é homem semimorto, descartável e sem graça.

    Mas que seja certeiro o tiro ou o golpe do punhal:
    não quero que o ferido se arrependa.
    Melhor no coração, pra ser fatal.

    Depois, já não haverá dor ou ferida.
    E que o contratado não se surpreenda
    ao saber que o pagamento é a minha vida.

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