terça-feira, 29 de abril de 2014

Doze meses

Ainda te desejo "bons sonhos" todas as noites porque sinto o calor do teu corpo embolado ao meu. Adivinho tuas chegadas e partidas pelo barulho das aeronaves que sobrevoam o bairro, prevejo dias bons e ruins de acordo com teu signo, te busco em olhares compridos por cafeterias e restaurantes, através do cristal de taças de vinho tinto, por detrás de estantes em livrarias. Persigo teu vulto em praças e avenidas. Posso sentir teu cheiro na cadeira vazia atrás de mim no cinema e ouvir tua voz cantarolando uma daquelas músicas que só tu conhecias. Desenho teus lábios com meus dedos e pinto rugas em tua testa em visões na frente do espelho imaginando que rosto terias agora, que rosto terás daqui dois ou dez anos. Não consigo olhar para tua correspondência que insiste ainda em entrar por debaixo da porta. E-mails, cadernos, antigos bilhetes me ferem como lâmina, impossível pra mim redescobrir nossos segredos. Ficaram alguns pares de meia, um livro do Raduan, comprimidos para dormir, um cão barulhento, mas o pior de tua partida é ficou jogada no canto do quarto coisa que não poderia ter sido esquecida, foste embora e não levaste meu amor contigo.


domingo, 6 de abril de 2014

Insônia

Acordei sem nem sequer ter conseguido dormir. Eles não deixaram. O passado roncava alto, o presente puxava minha coberta e o futuro, em sono agitado, falava enquanto dormia.