domingo, 9 de fevereiro de 2014

Da espera

Esperou horas, dias, semanas e nada.  Esperou pacientemente com angústia bolinho no estômago. Esperou como tantos outros, como quem espera o trem, o dentista, a entrevista de emprego, o fim do jogo, o almoço de domingo. Esperou até o início das chuvas, esperou a mordida do cão cicatrizar. Nem um telefonema, mensagem, sinal, em todas as redes, aparelhos e chips o silêncio. Esperou pelo "eu te amo", "sinto saudades", "perdão", esperou até pelo "puta que pariu" e nada, niente, nothing, nichts. Esperou tanto, mas tanto que chegou a esquecer ao certo o que esperava. Esperou simplesmente a espera e deixou pra lá todo o resto que quando deu por si era ele que esperava por ela.

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