sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Marlboro

Encontrei um cigarro teu no fundo da gaveta e o traguei com a calma e precisão que tragavas meu corpo, cada dobra, prega, o fundo do umbigo em madrugadas sem fim de sábado que só terminavam na manhã de segunda. Traguei teu último cigarro, esquecido, amassado, incompleto, como tragavas meu espirito, minha força e meu prazer ruidoso. Depois, repletos os poros de nicotina e saudade entrei na ducha fria, esfreguei o corpo até a vermelhidão da pele, tirei o forte cheiro das mãos e cabelos. O espelho me viu surgir  limpa, fresca e nua. É meu querido, tudo acaba e o amor é tragado, feito cigarro, pelo tempo.

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