terça-feira, 6 de agosto de 2013

Dezoito e quarenta e dois


Tua língua circula o bico do meu seio
Atiça minhas labaredas


Inflamável

Tua língua me cala as palavras
Sou toda gemidos


quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Do perdão

Perdão por te amar demais, mas não o suficiente para seguir em frente. Perdão por não ter feito as malas, não ter encaixotado meus livros, não ter baixado minhas armas e ter me embriagado na hora errada. Perdão por ter perdido o chão e o fôlego, mas não o juízo quando perdê-lo era a única coisa certa a fazer já que nada me prendia aqui e tudo me atava a você. Perdão por ter ficado imóvel, estátua de mármore em frente à porta, ao lado do telefone, chorando baixinho num canto da cozinha. Perdão por ter guardado de forma indisciplinada meu bilhete premiado de loteria, por tê-lo jogado no fundo da bolsa junto com o espelhinho de maquiagem que lá não tem serventia porque nada tem para refletir. Perdão por não ter dito não, nem dito sim, por ter vivido por tanto tempo no limbo dos covardes, em cima do muro dos que pensam demais e esquecem que todo conhecimento só é válido se vivido. Perdão por ter desperdiçado tanto afeto, por ter deixado as labaredas da pele se apagarem, os abraços no ar, os beijos secarem. Perdão por não ter feito do meu corpo seu abrigo, por não estar disponível para a pizza de quarta, pelos domingos solitários, por ter me preocupado com o preço da passagem, com o posição do sofá na sala, com os relatórios do banco, com a crise política, com cor do vestido   quando isso tudo não tinha a menor importância. Perdão por sempre mudar o foco da conversa quando meus sentidos pareciam desfocados. Perdão por não querer falar com você, por sofrer um pouco todo dia com a saudade do que poderia ter sido nós dois, por ficar horas imaginando por onde você anda, implorando para qualquer santo que as coisas mudem, que o tempo volte para que eu possa fazer tudo diferente. Perdoa a minha tristeza enquanto você é feliz, minha culpa por não ter vivido o que deveria ter sido vivido, por ter fugido, por ter me estilhaçado. Perdão por não conseguir amar de novo, por caminhar sozinha sem rumo, por só agora conseguir te pedir perdão e quem sabe conseguir me perdoar.

 Divagações de uma madrugada inspirada por uma conversa, por um twitter e pela música do Chico.