quinta-feira, 25 de julho de 2013

Bulimia

Tenho fome de palavras.
Devoro todas que encontro.
Livros e relatórios,
Bilhetes na porta da geladeira,
Notícias irrelevantes,
Anúncios pela cidade.
Mastigo demoradamente algumas,
Engulo de uma só vez outras.
Com o mel delas me lambuzo,
Sujo as mãos e as roupas
Até me fartar por inteira
Depois, lotada e satisfeita,
Cheia até a borda,
Vomito palavras pela casa,
Pelas ruas, bares e praças.
Para poder me fartar de outras.
Para novamente recomeçar o banquete
Em uma busca compulsiva e urgente.

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Ambulatório


Saudade é doença crônica, passível de tratamento e controle, mas nunca de cura. Dor miúda e constante.

quarta-feira, 10 de julho de 2013

"Escrevo seu nome em um grão de arroz" *



Qual a serventia de ter seu nome em um grão de arroz?

Patuá, chaveiro, recordação de viagem?
Não, não preciso de nada disso.

Quero seu nome na minha boca,
Enroscado na língua, estalando no céu.
Mantra, oração, pedido de socorro,
Delírio das noites de febre.

Palavra mágica murmurada no prazer,
Riscado nos vapores do banho.
Signo entre cubos, estrelas e setas que desenho distraída,
Gravado na pele e no convite das bodas.

Quero seu nome cavalheiro errante,
Invasor de diálogos alheios,
Rima previsível de versos improváveis,
Verdade absoluta quando entrelaçado ao meu.



Cruzando a Praça da Sé, a caminho do trabalho, um homem segura uma placa onde se lê: "escrevo seu nome em grão de arroz", daí a inspiração para o poema. A foto porém, foi tirada na Avenida Paulista, em um sábado de sol, algum tempo depois.

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Amores digitais 3


Ele: enter
Ela: delete

sábado, 6 de julho de 2013

Folhetim


Bom mesmo é quando você vai além, não vira simplesmente a página, mas a arranca fora e faz dela precisos e miúdos pedacinhos coloridos, joga todos para o alto, chuva de confete no meio do quarto colorindo a noite porque quem vive no passado não tem futuro.