terça-feira, 25 de junho de 2013

Resenha literária

Primeiro uma sensação de ser Alice no País das Maravilhas e tudo em volta estar se derretendo como um relógio de Dalí, aí me lembrei da minha almofada de gato que você disse que sorri como o gato dela, da Alice, e de que eu nunca te perguntei se a foto que você tirou do sabiá na janela do meu quarto ficou boa. Depois volto ao texto e observo que você deve gostar muito, muito de salmão porque ele aparece duas vezes e que também deve gostar de chá, porque isso também aparece duas vezes no seu texto, com torradas e com tv. Acho que gozar gotas coloridas deve ser como gozar confetes, um punhado deles com  purpurina na cara em plena terça-feira de Carnaval. Volto, tem uma mulher estranha na mesa da frente. Você ou o cara do texto, sei lá, penso que o problema de conhecer o escritor é que nunca sei se ele é você ou se ele é ele, deu pra entender?  Mas ele não pode ser você, porque ele esqueceu a chave do carro e você não tem carro, nem sabe dirigir como eu, talvez seja um defeito dos sagitarianos, se temos patas para que rodas? Mas o cara tá sofrendo, tá triste, impossível não ser triste no outono, mesmo no Rio de luz difusa azul.  A língua esquecida deve ser húngaro, "a única língua do mundo que, segundo as más línguas, o diabo respeita", só pode ser, ele dever ter lido o livro do Chico, o Buarque, não o da banca. Gabi deve ser uma mulher muita chata e sistemática porque nunca conheci uma nutricionista bacana e espero que nenhuma nutricionista se sinta ofendida com isso, na verdade, espero que nenhuma nutricionista leia isso. Adoro postais embora não tenha nenhum e ir embora é sempre melhor e mais doce do que ficar olhando para o teto esperando o sono chegar ou recolhendo as roupas espalhadas pela casa. Falando em casa, preciso ir para a minha, mas antes vou tomar uma cerveja na Vila com uma amiga cineasta e um amigo português que talvez um dia me mande um postal de aniversário. Ah, vai ter um inglês também que com certeza já tomou chá hoje. Chove e o inverno em São Paulo é cinza. Espero que ele continue dançando e você escrevendo. Será que o sabiá vai estar na janela do meu quarto amanhã?

Um comentário:

  1. Talvez o Sabiá seja eterno, mas a vida nunca será.

    beijos, de quem gostou deveras do texto
    @paraquenomes

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