terça-feira, 4 de junho de 2013

Depois de um poema de Neruda


Deixei meus amores guardados em meio de papeis e caixas de sapato, mas às vezes basta uma distração qualquer e eles escapam. Passo então a noite em claro, tentando caçá-los e acorrentá-los. Mais velozes do que eu espalham a saudade pela casa, tiram tudo do lugar, desfazem sonhos, confundem canções, invadem os livros, me pintam olheiras. Assim, estou sempre a vigiá-los, sabendo que um dia, novamente, vão escapar. Vão correr pelas ruas, escalar montanhas, transpor vales, ignorando distâncias, ignorando o tempo, retornando a lugares de onde jamais deveríamos ter saído.

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