quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Segredos

Sim, temos nossos segredos. É segredo este fio tenso que nos une, esta saudade doce que me invade em horas e lugares inesperados na voz do Paul. É segredo como me tocas mesmo a distância e que às vezes basta ouvir nas ruas uma palavra que me faça lembrar das tuas para que eu sorria sozinha feito louca. É segredo que há algumas semanas ao acordar de um pesadelo só me acalmei depois que, em um delírio, te adivinhei no escuro ao lado da minha cama e segurei tua mão com a firmeza de quem se segura a beira de um precipício. É segredo, não conte a ninguém, que disse teu nome tantas vezes a outros, num faz de conta porque esses outros ocupavam um lugar que só quero teu. Segredo também que desejei em noites de fúria, corroída pela inveja e ciúmes que tua cidade fosse atingida por um grande meteoro, que tudo a sua volta queimasse, pois assim teria um álibi e motivos concretos para fechar-me em concha e dar-me ao luxo de viver o luto. É segredo que ainda temos segredos, que a minha estrela só brilha porque também é tua e que algumas lembranças trazem arrepio a minha pele. Mas, no fim das contas o grande segredo é perceber que sempre teremos um ao outro, apesar de termos nos perdido

Um comentário:

  1. Como pode a saudade ser tão doce e amarga ao mesmo tempo? :((((

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