terça-feira, 26 de março de 2013

Norte

Quer perder o rumo?

Pergunte-me
como.

segunda-feira, 25 de março de 2013

Encanto

E tem dia que a gente acorda assim... querendo se encolher mais e mais, querendo só ficar quieta. Tem dia que o peito aperta, a garganta dá um nó, os olhos umedecem.... Tem dia que nada te satisfaz, nada é bom o suficiente, nenhum colo é lugar seguro. Tem dia que você só quer não ser.

Aí você abre o computador meio a contragosto, porque o mundo não parou porque você está triste, e lê um poema, escuta uma música e aquilo é como mágica... Fica fácil sorrir e o choro é de alegria, alívio, surpresa.

Agora meu dia começa, já estou encantada e vida sem encantamento não tem razão, é uma tristeza sem fim.

E você, já se encantou hoje?

sexta-feira, 22 de março de 2013

E o que restou do amor?

Saliva
Sêmen
Suor
Fel


terça-feira, 19 de março de 2013

causa e efeito

Vou vivendo

Com o peso das escolhas
Palavras não ditas
Casa vazia

Havia tanto há ser feito...

Uma história
Uma estrada
Uma canção

Mas não me restou nada
além de uma sucessão de domingos chuvosos

Versos pela metade
Pedras no caminho
Abraço perdido

Só a ausência é completa

E a chuva não passa
e segunda-feira de sol não chega.








“é que já faz um tempo
que espero o nosso tempo
chegar…”


Tenho vivido uma sucessão de domingos chuvosos e sei que isso não é nada bom. Há quanto tempo não vejo o sol?

terça-feira, 5 de março de 2013

Escolhi vir caminhando, não porque fosse perto ou fácil, mas simplesmente porque andando, zanzando pelas avenidas eu conseguia visualizar melhor o momento quase mágico em que me encontrava. Só entende o destino quem sobrevive a ele e eu havia sobrevivido.Tudo e todos passavam misteriosamente e repentinamente a fazer sentido, tudo se encaixava como em um daqueles grandes quebra cabeças que montavamos, quando crianças, na sala de jantar em férias de verão que o sol se recusava a aparecer. Tudo agora tão claro e tão nítido.

segunda-feira, 4 de março de 2013

Arrumação

Guardo-te entre minhas palavras prediletas: cálido, libélula, estrela. Entre as coisas que me são caras e raras, coisas envelhecidas e que não podem ser mais nada que coisas guardadas para serem vistas na luminosidade calma da tarde de domingo ou na madrugada silenciosa e fria, inundada de cansaço. Guardo-te com o aroma de baunilha que exala do corpo quente de sol nas manhãs infinitas a beira mar, em meio aos versos nunca publicados, escondidos entre rabiscos indecifráveis e livros que de tão lidos já sei de cor. Guardo-te com as lembranças queridas: a casa branca de janelas azuis da infância, o barulho do trem, o primeiro beijo. Ficas bem aconchegado entre as canções que ouço quando quero ser feliz ou quando quero apenas fugir tendo como testemunha o reflexo das luzes da cidade em poças d'água. Guardo-te no bolso da jaqueta, no fundo falso da mala, em uma caixa de sapato amarela e sigo adiante porque nada tenho a temer e a minha frente uma longa estrada se abre: reta, clara e plana.