domingo, 13 de janeiro de 2013

Vinte anos


E depois de tanto tempo o que tínhamos em comum? 

Um passado, o prédio do grupo escolar, uma cidade na curva do São Francisco, tardes ao sol na piscina do clube, o trem que passava ao longe, mas perto o suficiente para se acertar os relógios. A casa branca de janelas e portas azuis, alpendres, quintais, goiaba no pé, ruas sem nome, missa aos domingos, infância de pé no chão.

E sobre o que falaríamos no bar do shopping lotado? 

Amores, amigos, maridos, parentes, filhos, sobrinhos.  A que se perdeu, a que se encontrou, a que nunca amou, aquela que foi pra longe, a que permaneceu por perto. Teses, trabalho, perrengues, viagens, sonhos, rugas.

E o que resta? 

A certeza que não existe tempo grande o suficiente para apagar as amizades, os afetos e alegrias. Certeza de que por mais tortuosos que sejam os caminhos da vida, por mais confusas que sejam nossas jornadas ainda guardamos em cada uma de nós uma criança de braços abertos e sorriso no rosto.

Obrigada por me fazerem menina de novo.




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