terça-feira, 29 de janeiro de 2013

"Escreve-se sempre para dar a vida, para liberar a vida aí onde ela está aprisionada, para traçar linhas de fuga. Para isto, é necessário que a linguagem não seja um sistema homogêneo, mas um desequilíbrio, sempre heterogêneo."  
Deleuze

18

Tua presa e urgência de me amar acalmam meu espirito. Fresta de luz no quarto escuro em que me tranquei há tempos e do qual não conheço o paradeiro da chave. Teu corpo espaçoso no edredom florido, bola, sol e piscina no cabelo com cheiro de cloro. Olhos claros na face corada. Outono que se adivinha. Posso antever teu futuro, não nas cartas, mas nas lembranças do meu próprio passado, enquanto contas as manchinhas nas minhas costas e desenhas com teus dedos o contorno do meu rosto. Volto a ter dezoito, sou feliz e livre na eternidade de uma tarde que se derrama pela cidade, ao som da música desconhecida do rádio ligado baixinho, na imensidão da vida lá fora, na infinitude de aniversários, formaturas, casamentos e batizados que separam minha vida da tua.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Minha vontade ainda vence seu recato.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Outro lugar


Não, eu não estava lá. Não ouvia Pink Floyd no volume máximo esperando a festa acabar às três da manhã imaginando o vento frio de junho lá fora. Eu estava aí. Em outro tempo, futuro do subjuntivo, pretérito imperfeito, observando a tarde acabar nas dobras da cortina, sentindo o cheiro do cimento quente molhado depois da chuva. Em outra casa, em seus braços, ao som de outras músicas, bebendo chá gelado com limão. Que pés me trouxeram até aqui? Em qual trilha me perdi? As pálpebras pesadas, a alma mais pesada ainda, corpo dormente, biscoito de chocolate esfarelado no sofá da sala. Vontade infinita de ignorar que eu estava lá, só querendo estar aí.


Por aí




domingo, 13 de janeiro de 2013

Números


Perceba que a maioria dos números anotados jamais serão discados. Serão esquecidos ou ignorados. Vão se dissolver na máquina de lavar no bolso da calça, serão amassados no fundo da bolsa que tudo de inútil carrega ou ainda apagados pelo suor nervoso da palma da mão. Um número anotado e jamais discado elimina inesgotáveis possibilidades de encontros, reencontros, sexo, amor, amizade, negócios, acordos. Porém, alguns números mesmo que não anotados ou rabiscados em indecifráveis garranchos serão sempre discados e jamais esquecidos.

(Inspirado por Luiz Eduardo Ballin, de quem não tenho número mas sei onde e como encontrar)

Vinte anos


E depois de tanto tempo o que tínhamos em comum? 

Um passado, o prédio do grupo escolar, uma cidade na curva do São Francisco, tardes ao sol na piscina do clube, o trem que passava ao longe, mas perto o suficiente para se acertar os relógios. A casa branca de janelas e portas azuis, alpendres, quintais, goiaba no pé, ruas sem nome, missa aos domingos, infância de pé no chão.

E sobre o que falaríamos no bar do shopping lotado? 

Amores, amigos, maridos, parentes, filhos, sobrinhos.  A que se perdeu, a que se encontrou, a que nunca amou, aquela que foi pra longe, a que permaneceu por perto. Teses, trabalho, perrengues, viagens, sonhos, rugas.

E o que resta? 

A certeza que não existe tempo grande o suficiente para apagar as amizades, os afetos e alegrias. Certeza de que por mais tortuosos que sejam os caminhos da vida, por mais confusas que sejam nossas jornadas ainda guardamos em cada uma de nós uma criança de braços abertos e sorriso no rosto.

Obrigada por me fazerem menina de novo.




Adoro os anos ímpares, são sempre ímpares.

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

2012 foi um ano bem diferente dos outros, valeu por dois!! Tanta coisa nova: gente, trabalho, rotina, amores, projetos. Teve notícia ruim, teve descoberta bacana, gente maravilhosa chegando pra ficar, gente maravilhosa se afastando e deixando saudade, teve choro e muita risada. Desejo que 2013 me traga coragem para encarar os pequenos e grandes desafios do mundo e também sabedoria para saber a hora certa de desistir de alguns deles. Desejo continuar rodeada de pessoas do bem, que minha irmã conquiste seus objetivos, que meu sobrinho continue crescendo com doçura e inteligência, que meus pais envelheçam com tranqüilidade, que meus amigos realizem todos os seus sonhos. Que venha 2013 e que sejamos 365 vezes mais felizes.