sábado, 18 de junho de 2011

Primeira impressão


Difícil descrevê-la assim a primeira vista, é preciso observá-la melhor, sondar-lhe os contornos do rosto, as nuances do olhar, o jeito de andar. Assim, num repente é como uma pintura impressionista ou se achar melhor, uma paisagem míope, indefinida. Nem bonita, nem feia. Normal, com as vantagens e desvantagens que a normalidade acarreta à uma pessoa. A vantagem de passar por vezes despercebida, anônima, a desvantagem de não ser por vezes nem se quer notada quando tudo que se quer é um pouco de atenção. Leve, muito leve. Frágil? Parece-me que não. Força nas mãos finas, nos dedos longos, nas unhas pintadas de vermelho, na nuca que adivinho por de trás do cabelo, nas sobrancelhas desalinhadas, no sexo pulsante no meio das coxas lisas. Outra, com toda a magia e mistério que só o outro inspira, atiça. Criança no galho alto da mangueira. Sem parada, nem para a tomada de fôlego. Uma festa. Nem bonita, nem feia. Normal. Mulher.