domingo, 10 de abril de 2011

Desassossego



Vontade doida de escrever qualquer coisa sem sentido algum, uma carta-poema que fale de amor e saudade, das nuvens de chumbo que vejo ao longe. Escrever para meu pai uma carta longa, colorida, repleta dos insetos - formigas, abelhas e joaninhas – que ele pacientemente me mostrava na infância e que agora mostrará ao neto. Escrever para minha mãe um conto choroso repleto de músicas do Lennon, com seus gritos de alegria e com cheiro de brigadeiro na panela. Vontade de escrever o livro das minhas memórias sobre meu irmão mais velho de Cuiabá que nunca existiu. Escrever sobre a solidão gigante que toma conta de mim em dias assim vazios de sentido e caos. Sobre meus romances não vividos, apenas sonhados na vai e vem da rede da varanda. Vontade doida de escrever, traduzir em palavras o que sinto e também pressinto.

Um comentário:

  1. Nem sempre encontramos as palavras certas. Me encaixei no seu texto.
    Beijos

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