segunda-feira, 4 de março de 2013

Arrumação

Guardo-te entre minhas palavras prediletas: cálido, libélula, estrela. Entre as coisas que me são caras e raras, coisas envelhecidas e que não podem ser mais nada que coisas guardadas para serem vistas na luminosidade calma da tarde de domingo ou na madrugada silenciosa e fria, inundada de cansaço. Guardo-te com o aroma de baunilha que exala do corpo quente de sol nas manhãs infinitas a beira mar, em meio aos versos nunca publicados, escondidos entre rabiscos indecifráveis e livros que de tão lidos já sei de cor. Guardo-te com as lembranças queridas: a casa branca de janelas azuis da infância, o barulho do trem, o primeiro beijo. Ficas bem aconchegado entre as canções que ouço quando quero ser feliz ou quando quero apenas fugir tendo como testemunha o reflexo das luzes da cidade em poças d'água. Guardo-te no bolso da jaqueta, no fundo falso da mala, em uma caixa de sapato amarela e sigo adiante porque nada tenho a temer e a minha frente uma longa estrada se abre: reta, clara e plana.

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