quarta-feira, 28 de abril de 2010

Caleidoscópio

Descendo a Augusta
Comprei um caleidoscópio
Para fugir do tédio
Para ver novas formas e cores
Mas não importava como eu olhasse
Girando para esquerda ou para direita
Eu via sempre a mesma figura
Repetida milhares de vezes
Tão familiar e conhecida
Única e pessoal.

Então num repente
Como relâmpago no meio da tarde
Percebi que seja desenho de vidro
Paisagem da cidade
Aquarela na parede
Tudo que vejo é apenas minha própria imagem.
Refletida
Ampliada
Multiplicada
Transformada
Sou e estou em tudo que vejo
Cabendo só a mim construir novas formas
Desenhar meus arredores
Vencer minha monotonia cromática.

E agora, o caleidoscópio,
Brinquedo e diversão inútil
Repousa no canto
No fundo da estante
Porque tudo que preciso:
Espelho
Cacos coloridos
Tubo de papelão
Se encontram, se encaixam e giram
Harmoniosamente dentro de mim
.

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