terça-feira, 29 de janeiro de 2013

18

Tua presa e urgência de me amar acalmam meu espirito. Fresta de luz no quarto escuro em que me tranquei há tempos e do qual não conheço o paradeiro da chave. Teu corpo espaçoso no edredom florido, bola, sol e piscina no cabelo com cheiro de cloro. Olhos claros na face corada. Outono que se adivinha. Posso antever teu futuro, não nas cartas, mas nas lembranças do meu próprio passado, enquanto contas as manchinhas nas minhas costas e desenhas com teus dedos o contorno do meu rosto. Volto a ter dezoito, sou feliz e livre na eternidade de uma tarde que se derrama pela cidade, ao som da música desconhecida do rádio ligado baixinho, na imensidão da vida lá fora, na infinitude de aniversários, formaturas, casamentos e batizados que separam minha vida da tua.

Nenhum comentário:

Postar um comentário