quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Para C.

Seu cheiro escapa do meu travesseiro, brinca com meus lençóis e com a colcha branca de piquê no meio da madrugada ao som da chuva forte que alaga a cidade, chuva que você também deve estar ouvindo aí da sua cama ao lado da janela e junto com seu cheiro vem a lembrança do seu sorriso largo, lindo, imenso e eu penso que poderia me perder dentro desse sorriso e com ele vem o convite irrecusável, vem o desejo, as palavras ainda não pronunciadas, os suspiros. Sonho com o negro dos teus olhos negros e gostaria de poder mergulhar neles de me fundir à sua pele, à sua alma, porque às vezes estar perto e dentro é muito pouco, é óbvio demais, ordinário e o beijo longo e macio e a parte de dentro do seu lábio inferior tenra como um tomate maduro e o gosto do seu corpo temperando minha boca, que quer te beijar, quer te mastigar e depois engolir lentamente, sorvendo todo o mel, salivando por mais, muito mais feito lobo faminto no meio do deserto, da terra estéril que não vê há muito tempo uma chuva como essa que caí lá fora e que alaga tudo enquanto sinto seu cheiro escapando do meu travesseiro.

3 comentários:

  1. Nossa, belo fluxo de consciência!!!

    Se o "C" ler o texto e se reconhecer, ficará lisongeado!

    Abraços!

    ResponderExcluir
  2. "terra estéril que não vê há muito tempo uma chuva como essa..."

    Olá Tânia! belas imagens, sensações e texturas que vc conseguiu construir nesse texto... Por acaso, chove nesse momento em que te escrevo haha

    obrigado pelo comentário ao meu poema "um verão" lá no blog do bolha
    tá convidada "para folhear" mais poemas no meu blog, o www.comtexturas.blogspot.com!

    abraço e até a próxima!

    JL

    ResponderExcluir
  3. soa e ao mesmo tempo é ou poderia ser reflexo de poça d'água ou passagem secreta daquelas linhas de um capítulo número sete de um tal de C.

    foi exatamente assim que li.

    ResponderExcluir