quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

São Paulo - Hora do rush


Cruza meu caminho no metrô um japonês de cara triste e sua tristeza espeta minha pele como uma coroa de espinhos. Por uma fração de segundo toda a tristeza do mundo me atinge, sou mais triste que todos os japoneses de cara triste que já passaram pelo metrô. Tenho a tristeza de milênios, afogada em ofurôs por gueixas, samurais e kamikazes. Tristeza sol nascente que me atinge e engole tudo: os carros, as luzes míopes, o cheiro de umidade que sobe do chão, o livro que tenho entre as mãos. Mas a alegria aos poucos volta a reinar encarnada na criança loira que corre por entre as prateleiras do supermercado lotado, em meio à palavras estrangeiras, executivos apressados, pacotes de macarrão e caixas de sabão em pó. A alegria me invade, invade a minha rua, a minha cara como uma cerejeira em flor.

domingo, 6 de dezembro de 2009

Reflexões de aniversário

Olho no espelho e me pergunto se sou quem eu desejava ser aos quinze anos. Será que vejo o rosto que realmente tenho ou vejo apenas um rascunho do que sou? Sou o que o fez o tempo em mim, sou tempo em carne e osso. Não mato o tempo, o tempo me mata, como um tumor que habita silenciosamente meu peito. Tempo que me mata mas também cura outros males e rachaduras. Sou apenas o tempo que passa e tenho no rosto o tempo que fui.