quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Outro verão

Toda vez que passo em frente aquela banca de jornais lembro que foi lá que você esqueceu dois maços de cigarros antes de irmos para a praia. Lembro também que calor úmido de janeiro não nos repelia, ao contrário nos atraia, porque nossos corpos grudados dissipavam o calor que nos consumia não por fora, mas por dentro. O mar azul, palavras que eu sussurrava em seus ouvidos perfeitamente compreendidas, apesar de não serem ouvidas. O sol agarrado aos telhados das casas, a musica soando alta e continuadamente pela sala, por toda a rua por todo o verão. Suaves delírios, o gosto do sal pelo corpo, a cama desfeita, a algazarra das refeições, o ventilador girando, girando e minha cabeça, meus sonhos girando com ele. A chuva fria no meio da noite e outros cigarros mentolados sendo acessos no lugar daqueles esquecidos em cima do balcão de uma banca de jornais na esquina da Paulista.

2 comentários:

  1. muito bom, tânia! gosto quando a narrativa e a descrição são constrúidas por esses subjetivismos, pelos flashes, momentos e detalhes que marcaram, muito mais ligados pelas sensações do que pela razão.
    abraços!

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  2. http://jornalplasticobolha.blogspot.com/2009/12/outro-verao-um-texto-de-tania-tiburzio.html

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