segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Palavras, palavras e mais palavras

Escrevo porque não existe outra alternativa, as palavras não me deixam escolha. 

As palavras me incomodam, gritam meu nome no meio da rua, fazem cócegas na planta dos pés, cutucam a nuca no cinema, puxam o cabelo no meio da noite. 

Palavras inventadas, sonhadas ou simplesmente perdidas na voz do meu pai, no caderno de receitas da minha mãe, nos livros que eu lia clandestinamente quando adolescente. Palavras descartáveis no bilhete já sem urgência, na carta que nunca foi enviada, no amor jamais declarado, que surgem e se espalham rapidamente como o bolor na parede da sala.

Não há como derrotá-las e a única saída é me unir a elas e por isso escrevo.

Escrevo para me fundir às palavras, me misturar à elas e para me transformar também em palavra, adjetiva, substantiva, verbo. Palavra sempre aberta e a espera de uma nova e talvez definitiva interpretação.

4 comentários:

  1. Bravo!... Poxa, você não apareceu na oficina no sábado!

    ResponderExcluir
  2. Realmente....Quando as palavras não param de encher o saco, é porque estão pedindo pra sair...!

    Abraços

    ResponderExcluir
  3. Palavras pra dizer que estou com saudades amiga e que tudo que vc escreve é bom demais de ler! bjs dê notícias... Dani

    ResponderExcluir
  4. TT
    Sabe, depois do que ouvi; porque eu ouço o que você escreve, porque seu escrever anda junto com sua voz; decidi que você não só escreve...

    parece mais: que nada que não existiu no meu ouvir seu, que não tenha sido antes o que eu queria ouvir de você!

    Não são só suas palavras que a seguem...ou você a elas...

    eu também!

    ResponderExcluir