quarta-feira, 10 de julho de 2013

"Escrevo seu nome em um grão de arroz" *



Qual a serventia de ter seu nome em um grão de arroz?

Patuá, chaveiro, recordação de viagem?
Não, não preciso de nada disso.

Quero seu nome na minha boca,
Enroscado na língua, estalando no céu.
Mantra, oração, pedido de socorro,
Delírio das noites de febre.

Palavra mágica murmurada no prazer,
Riscado nos vapores do banho.
Signo entre cubos, estrelas e setas que desenho distraída,
Gravado na pele e no convite das bodas.

Quero seu nome cavalheiro errante,
Invasor de diálogos alheios,
Rima previsível de versos improváveis,
Verdade absoluta quando entrelaçado ao meu.



Cruzando a Praça da Sé, a caminho do trabalho, um homem segura uma placa onde se lê: "escrevo seu nome em grão de arroz", daí a inspiração para o poema. A foto porém, foi tirada na Avenida Paulista, em um sábado de sol, algum tempo depois.

2 comentários:

  1. pelo grão, um pequeno grão
    sem nome...
    a vida é uma viagem mesmo, não é um destino.
    No dia da separação
    os versos se encaixam
    e o que era absoluto nada mais é que um vão...
    entre as pernas da louca mulher
    e o pedaço de pão de milho
    com manteiga aviação
    debruçado na janela,
    junto com a canequinha
    de café
    adoçado com açúcar mascavo.
    É hora da chuva e do mato grosso.
    Êta!

    Maurice, Le luisante
    avidaétãorara!

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  2. Amei! Você descreve muito bem o cotidiano... me vi desenhando estrelinhas e setas... e cria lindas metáforas. Parabéns pelo olhar...

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