sexta-feira, 31 de julho de 2009

Naftalina


Não, não te esqueci. Confesso que até tentei, mas desisti. É inútil lutar contra a minha natureza e nadar contra a corrente. Então, só te guardei. Guardei junto com aquele vestido longo de verão que eu adoro e é impossível vestir no inverno paulistano. Guardei na gaveta dos amores impossíveis, das fantasias não realizadas, dos desejos sufocados, do carinho infinito. Talvez, num dia claro de verão eu tire o vestido da gaveta, saia pela avenida e num ímpeto te telefone e vá ao teu encontro. No entanto, teremos um grande problema: o insuportável cheiro de naftalina.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Outra pequena história

Adorava feijoada e aos sábados futebol e cerveja. Uma tarde, chegou mais cedo do futebol. Bêbado, pegou a mulher na cama com outro. Não hesitou: desferiu com a faca da cozinha um golpe certeiro. No dia seguinte, comeu, com gosto, na feijoada uma orelha com brinco de ouro.

Pequena história

Ao sol da manhã, limpava a piscina com satisfação. Pensou na mulher e nos filhos. Lágrimas escorreram pela face, sentiu um nó na garganta e um aperto no peito. Meia hora depois foi encontrado morto: infarto.


domingo, 5 de julho de 2009

Desejos de uma manhã de sábado


Que teu corpo seja do meu refúgio,
Meu sexo do teu desejo a casa,
Teus lábios do vinho minha taça.

Que teu coração seja do meu a recompensa,
Teus pés sigam sempre meus passos,
Tua alma e a minha presas em um laço.